AMEAÇAS À DEMOCRACIA NO BRASIL, NOS EUA E EM OUTROS PAÍSES.

AMEAÇAS À DEMOCRACIA NO BRASIL, NOS EUA E EM OUTROS PAÍSES.

O autoritarismo avança no mundo a passos largos, mas foi no Brasil que o Instituto para Democracia e Assistência Eleitoral viu uma piora maior. O documento é publicado de dois em dois anos e elaborado com a participação de 33 estados-membros, inclusive do Brasil, representados por ministros das Relações Exteriores e autoridades eleitorais desses países.

 

O relatório destaca que a gestão da pandemia teve escândalos de corrupção e protestos, enquanto o presidente brasileiro menosprezava a crise sanitária. O relatório afirma que Jair Bolsonaro testou as instituições democráticas, atacando veículos de comunicação e acusando, sem nenhuma prova, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de preparar fraudes para as eleições do ano que vem.

 

O relatório observa ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) investiga o presidente por divulgar informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro. O grupo citou ainda a ameaça do presidente de não acatar as decisões do Supremo Tribunal Federal.

 

Ao mencionar que Bolsonaro minimizou a pandemia e mandou mensagens contraditórias, o relatório observa que a desinformação é um dos fatores que contribuem para deterioração da democracia. Outro, é o silencio de vozes críticas.

O relatório mencionou também ataques do presidente à imprensa. O Brasil teve um declínio significativo em metade de 16 atributos para democracia.

 

O secretário-geral do grupo enxerga uma erosão prolongada e sustentada da qualidade da democracia brasileira. Kevin Casas-Zamora explicou ao Jornal Nacional que a democracia no Brasil atingiu o pico por volta de 2013, e então começou a cair em 2015.

 

O Índice do Estado Global da Democracia mostrou que os regimes autoritários aumentaram a repressão. O ano de 2020 foi o pior desde 1975. Nunca houve tanto país escorregando para o autoritarismo e democracias estabelecidas sob ameaça.

 

O mundo já perdeu nos últimos dois anos pelo menos quatro democracias - Afeganistão, Mianmar, Mali e Tunísia -, seja por meio de eleições falhas ou golpes militares.

 

Agora, 70% da população mundial vivem em lugares onde há retrocesso democrático, como os Estados Unidos sob Donald Trump e países da União Europeia - Hungria, Polônia e Eslovênia.

 

 

O instituto vê um lado bom: o aumento dos protestos e ações cívicas. Mas afirma que “o relatório do Estado Global da Democracia não é um alerta, já é uma campainha de alarme”.

Fonte: JN/G1